Dr. João Daniel Caliman e Gurgel Otorrinolaringologia e Cirurgia Crânio-maxilo-facial Mestrado e Doutorado em Medicina

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Procedimento

Avanço Maxilomandibular para Apneia do Sono

Avanço Maxilomandibular para Apneia do Sono

Desde o nosso nascimento passamos ou pelo menos deveríamos passar algumas horas todos os dias dormindo tranquilamente. O sono, principalmente o mais profundo, é o que nos permite descansar, fixar os conhecimentos adquiridos durante o dia, produzimos hormônios entre outras importantes funções. Sem um sono revigorante, a vida se torna extremamente complicada.

Nos últimos anos muito se tem pesquisado sobre a apneia do sono e seu impacto na vida das pessoas. Esta condição se caracteriza pela parada respiratória por mais de 10 segundos que ocorre devido ao fechamento da garganta durante o sono mais profundo. 

Pessoas pessoas que apresenta mais do que 5 episódios de apneia por hora de sono já são consideradas portadoras de apneia do sono, embora pacientes com índices de até 20 sejam raramente sintomáticos.

 

 

Mais de 10% da população acima de 65 anos apresenta apneia obstrutiva do sono. Num estudo publicado em 1993, entre americanos de 30 a 60 anos, 9% das mulheres e 24% dos homens apresentavam índices de distúrbio iguais ou maiores do que 5. Cerca de 2% das mulheres e 4% dos homens queixavam-se também de sonolência durante o dia.

Até as crianças também podem apresentar apneia do sono, porém tem causas diferentes dos adultos. Ocorre em média de 1% a 3% das crianças.

Os sintomas mais comuns são roncos, episódios visíveis de interrupção da respiração durante o sono, muitas vezes parecidos com engasgos, e sonolência aumentada o dia. O ronco pode ser excessivamente alto e incomodar quem dorme por perto, principalmente a esposa ou o marido.

Os múltiplos despertares que ocorrem durante o sono, mesmo que não percebidos pelo paciente, provocam cansaço, irritação, dificuldade de concentração e de permanecer acordado durante atividades mais monótonas, depressão, redução da libido, impotência sexual e cefaleia pela manhã (uma das manifestações mais frequentes da síndrome). Em casos mais graves, alguns pacientes chegam a dormir mesmo dirigindo ou conversando com alguém. 

Qualquer fenômeno que provoque estreitamento ou oclusão da passagem de ar pelas vias aéreas superiores pode causar apneia do sono: excesso de peso, crescimento das amígdalas, malformações da mandíbula ou da garganta, aumento da língua (como ocorre na síndrome de Down), tumores, flacidez dos músculos da faringe ou falta de coordenação dos músculos respiratórios.

O diagnóstico de certeza só pode ser estabelecido através da polissonografia, um exame realizado no laboratório de sono onde o paciente dormirá uma noite e avaliando os potenciais elétricos da atividade cerebral, os batimentos cardíacos, o movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a concentração de oxigênio no sangue, o movimento das pernas além de outros parâmetros.

Diversos estudos mostraram que a síndrome está associada a aumento na incidência de infartos do miocárdio, derrames cerebrais e arritmias cardíacas.

Hipertensão arterial é encontrada em 70% a 90% dos que sofrem de apneia do sono. Ao contrário, 30% a 35% dos pacientes que apresentam hipertensão essencial são também portadores de apneia do sono. O tratamento da apneia do sono nestes casos pode facilitar bastante o controle da pressão e eventualmente diminuir a necessidade de uso de múltiplos medicamentos.

O objetivo do tratamento é manter as vias aéreas permeáveis ao fluxo de ar durante a noite. O tratamento de escolha é o uso de máscara (CPAP) conectada a um compressor de ar que provoca pressão positiva para forçar sua passagem através das vias aéreas
superiores, durante a noite. Os níveis de pressão da máscara devem ser ajustados individualmente depois de um novo exame de polissonografia, desta vez já com o uso do CPAP. Se a pressão estiver muito alta o CPAP poderá incomodar muito; se estiver muito baixa será insuficiente.

Perda de peso, no caso de pacientes obesos, e evitar dormir na posição supina (de barriga para cima) são outras medidas bastante úteis. 

O tratamento cirúrgico mais eficiente é o avanço maxilomandibular e está sempre indicado para os casos nos quais a apneia ocorre acima de 15 vezes por hora. Ele permite alargar a passagem de ar na garganta e promove melhora em aproximadamente 9 em cada 10 tratados desta forma.